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Prevenção é a principal arma contra a anorexia e a bulimia

São Paulo - Procurar tratamento para meninas com anorexia é sempre muito complicado para a família já que elas não aceitam a doença, imaginando que seus problemas se resumam na perda de peso. Elas possuem um distúrbio da auto-imagem. Por esse motivo o tratamento deve ser multidisciplinar, ou seja, deve incluir clínicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e terapeutas de forma a se conseguir uma abordagem ampla do paciente e da família. Nos casos de bulimia, um tratamento com psicólogo e medicações, como os antidepressivos, pode ser bem eficaz.

Mas o melhor remédio para o problemas é a prevenção dizem os especialistas. Algumas agências de modelos já têm essa preocupação. O psicólogo Marco Antônio Tommaso faz esse trabalho em duas delas orientando e conversando com as garotas. “Eu procuro falar com as modelos individualmente e em grupo, elas recebem apostilas com textos que abordam temas como auto-estima, limites e desafios da carreira, depressão e outros assuntos”, conta.

O militar da reserva do Exército Carlos Alberto Peixoto, de Dourados (MS), realiza palestras com o objetivo de alertar pais e meninas sobre a anorexia e a bulimia. A idéia da prevenção desses distúrbios alimentares surgiu no dia em que ele e a esposa estavam velando o corpo da filha Paula. “Com toda certeza, se nós soubéssemos, na época, mais sobre a anorexia e a bulimia, minha filha não teria morrido”, disse Peixoto.

Paula completou 18 anos vinte dias antes de falecer. A doença apareceu oito meses antes. Após ter um convite para participar de um concurso de beleza, ela começou a se preocupar mais com a aparência e logo veio a idéia de fazer um regime por conta própria. Ela se alimentava, durante todo o dia, com uma cenoura, um pepino e um pedaço de melancia. “Quando percebemos que ela estava muito magra, nós a levamos ao médico que diagnosticou anorexia”, comenta o pai.

A obsessão de Paula pelo peso era tanta que mesmo quando bebia água ela ia para a balança que possuía em casa, para verificar se tinha engordado alguns gramas. A situação piorou quando o pai descobriu que além de anoréxica ela também era bulímica. O pouco que comia ela vomitava. O médico quis interná-la, mas ela o convenceu a trocar a internação por um tratamento em casa, alegando que não queria perder as provas da faculdade.

A filha de Peixoto tomou as injeções, os remédios e a alimentação sugerida pelo médico. “Depois da medicação, ela realmente começou a se alimentar mais, porém tenho quase certeza que os devolvia na primeira oportunidade que tivesse.” Paula morreu no dia 20 de maio de 1999 e a causa foi hiperglicemia com parada cardíaca. Além das palestras nas escolas, Carlos Peixoto troca e-mails (carlosapeixoto@terra.com.br ) para passar aos leigos o que já aprendeu sobre a anorexia e a bulimia.

O tratamento para essas doenças é caro (R$ 1 mil por mês em algumas clínicas particulares) e nem todas as famílias possuem condições para arcar com o custo. Pensando nisso, mães de meninas que já tiveram esse problema criaram a Associação Brasileira de Apoio a Prevenção e Tratamento dos Transtornos Alimentares, mais conhecida como Reluzir.

Entre os projetos realizados pela associação está o Resgate que dá à garota com anorexia assistência médica, social e psicológica. “O nome Resgate vem da idéia de trazer a menina de volta para o convívio social”, explica a psicóloga Eliana Raposo Tenório Mendes, diretora clínica da associação. A Reluzir chega a ter, por semana, mais de 100 atendimentos, e ajuda de maneira integral 20 famílias. Com o apoio de empresários e pessoas, a associação pode fazer com que esse número aumente. (Rogério Voltan)

Serviço:
Onde procurar ajuda:
Marco Antonio De Tommaso, psicólogo. Tel. (11) 3887-9738
Reluzir. Tel: (11) 3814-0379 (Rua Morato Coelho, 1.025 – São Paulo/SP)
Ambulim (Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas). Tel: (11) 3069-6575.

Fonte > Via Mulher

 

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