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11/09/2001 > O G da questão
Há muito tempo se ouve falar desse tal ponto G, mas não pense que o dito-cujo é um consenso entre médicos, psicólogos e sexólogos. Enquanto alguns especialistas afirmam que ele é uma região da vagina capaz de potencializar o prazer sexual, outros negam sua existência e garantem ser impossível haver um botãozinho que acione a sexualidade da mulher. Em meio a tanta polêmica, o fato é que realmente não há uma comprovação científica de que a anatomia feminina tenha essa estrutura especial de prazer. Por outro lado, pesquisas revelam que mais da metade das mulheres que receberam estimulação no tal ponto relatou que existe mesmo uma sensibilidade enorme nessa área - e que, quando devidamente tocada, o orgasmo é bastante intenso. Os especialistas que defendem a causa dizem que a hipersensibilidade da região se deve às suas múltiplas terminações nervosas. "O mais provável é que o ponto G seja proveniente de restos de tecido embrionário. Os mesmos que, no homem, formam a próstata", explica Mirela Pereira Duran Boccardo, psicóloga e coordenadora do ambulatório de sexualidade feminina do Instituto Kaplan, centro de estudos de São Paulo. Diz a lenda que fica logo abaixo do osso púbico, na parede frontal da vagina (entre a abertura e o colo do útero). Tem o tamanho médio de uma moeda e está localizado de 3 a 5 centímetros da entrada da vagina - muitos médicos alegam que isso não faz sentido uma vez que o comprimento do canal varia de pessoa para pessoa. Portanto, consiste em uma região (e não necessariamente um ponto) em que alojam-se as glândulas que cercam a uretra. Quando a mulher está excitada, o ponto G enche de sangue e fica inchado. Na hora em que o pênis entra e roça nessa parede, a sensibilidade aumenta e provoca uma sensação de extremo prazer. Encontrar o tal ponto, porém, virou uma verdadeira obsessão na cabeça das mulheres que buscam mais prazer. O problema é que ele não é privilégio de todas: algumas não nascem com esse tecido; outras até possuem, mas ele é atrofiado. E há ainda aquelas que têm o dito-cujo, mas não sentem prazer quando tocadas nesse local (a estimulação, inclusive, pode despertar uma tremenda vontade de urinar pela proximidade com a uretra). Direto ao ponto - Ele foi percebido pela primeira vez em 1950 pelo ginecologista alemão Ernest Gräfenberg - cuja inicial do sobrenome serviu para nomeá-lo anos mais tarde. O médico acreditava que existia uma pequena área na parede anterior da vagina de grande sensibilidade à estimulação erótica e, portanto, geradora de um intenso orgasmo. A função do dito-cujo é mesmo proporcionar orgasmos mais intensos quando estimulado - tão bons ou melhores que os orgasmos clitorianos. Essa é outra questão polêmica. Ao ponto G é atribuída a capacidade de induzir a uma ejaculação feminina, fenômeno ainda não muito esclarecido nem comprovado cientificamente. Pesquisadores garantem que esse ponto, ao ser estimulado, libera uma substância. Ou seja: quando a mulher atinge um orgasmo de grande intensidade, acompanhado de uma secreção cuja sensação ao ser eliminada é semelhante ao desejo de urinar, é sinal de que o ponto G foi estimulado. "O tema ainda é pouco estudado, principalmente pela dificuldade que existe em se explorar assuntos ligados à intimidade feminina", revela Alexandre Saadeh, psiquiatra e psicoterapeuta do Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (Prosex). A ginecologista e terapeuta sexual do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Sônia Penteado, por exemplo, é uma das que alertam para o fato de que a emissão do tal líquido pela vagina não deve ser chamada de ejaculação feminina: "A denominação é incorreta porque a mulher não tem os órgãos necessários para que um processo como esse ocorra".Como encontrar o dito-cujo - Infelizmente não há um mapinha dizendo como você pode achar esse tão procurado ponto. A melhor forma de saber se você tem ou não (e se sente prazer ao estimulá-lo) é introduzir o dedo indicador na vagina (3 a 4 centímetros de profundidade) e ir se acariciando, tentando perceber se há uma maior sensibilidade nessa área - em muitas mulheres, essa masturbação provoca um orgasmo ainda mais intenso do que o obtido com a penetração. Quando o dedo estiver dentro do canal, pressione a parede interna em direção ao osso púbico, estimulando a parte superior. Se você possuir o ponto G, é exatamente aí que ele vai estar! À medida que você for massageando e excitando o ponto, a região vai ficando mais áspera. Ao introduzir o dedo na vagina, você sentirá um tecido com características granuladas. Na verdade, além de facilitar a localização do dito-cujo, esse é um exercício supersaudável para se conhecer melhor e explorar sua sexualidade. Ao se tocar, você acaba descobrindo quais os locais de maior sensibilidade da sua vagina. Outra possibilidade é permitir que o parceiro faça isso. Se esse for o caso, o melhor é apostar nas preliminares antes da transa. Já durante a relação sexual, é mais fácil estimular o local quando a mulher está deitada de bruços e o homem penetra por trás. Essa posição faz com que o pênis tenha maior contato com a parede frontal da vagina, justamente onde está situado o ponto G. Outra posição que favorece é você ficar na beirada da cama (com as pernas na cintura do rapaz ou no ombro dele) e pedir para o moço ajoelhar no chão. Ele pode segurar a base do pênis para direcioná-lo melhor. "Se a mulher tem o ponto, com certeza vai acabar descobrindo - sozinha ou com o parceiro. Mas se não tiver, o melhor remédio é não se incomodar com isso e privilegiar as preliminares e o orgasmo clitoriano", ensina o psiquiatra e psicoterapeuta Alexandre Saadeh. Nem só no ponto G está o prazer sexual - Muitas mulheres têm uma ânsia tão grande de querer saber se possuem ou não o tal ponto que acabam se esquecendo de que ele não é fator essencial na obtenção de prazer. "A sensibilidade erótica não é tão localizada. Deve-se explorar outras áreas do corpo, abusar das carícias e até das massagens. Assim, mesmo quem não possui o ponto G pode obter orgasmos intensos", ensina a ginecologista Sônia Penteado. Portanto, se houver cumplicidade, vale a pena você e o seu companheiro tentarem encontrar o dito-cujo. Mas não tem cabimento transformar em obsessão um ponto que nem os cientistas sabem ao certo se existe! Fonte > Via Mulher |
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